Se o seu nome está negativado e você já desistiu de negociar porque a proposta que apareceu era impagável, o Feirão Limpa Nome é provavelmente a sua melhor janela de oportunidade no ano. É um mutirão de renegociação em que credores concentram as ofertas mais agressivas do período — com descontos que chegam a 99% do valor da dívida. Este guia mostra o passo a passo para negociar e, mais importante, o que checar antes de aceitar qualquer proposta.

Por Que Isso Importa Agora

Os números explicam o tamanho do problema. Segundo a Serasa, em agosto de 2026 o Brasil chegou a 83,9 milhões de negativados — o maior número de toda a série histórica. E um levantamento dos 10 anos do Mapa da Inadimplência mostrou algo ainda mais duro: 42% dos brasileiros inadimplentes hoje já estavam com o nome restrito há uma década. Em dez anos, o número de pessoas com contas em atraso cresceu 38,1%, e o total de dívidas registradas passou de 332 milhões, volume 43% maior do que em 2016.

Ou seja: não se trata de gente que caiu na inadimplência por um acidente pontual. Trata-se, em grande parte, de dívidas antigas que nunca foram resolvidas — muitas já sem juros correndo, muitas já prescritas para efeito de cobrança judicial, mas ainda sujando o nome e travando o acesso a crédito.

Como Funciona o Feirão Limpa Nome

A plataforma Serasa Limpa Nome funciona durante todo o ano, mas periodicamente a Serasa realiza edições concentradas do Feirão, quando o volume e a agressividade das ofertas aumentam. A edição de 2026 — a 34ª da história — ocorreu entre 23 de fevereiro e 1º de abril e reuniu, pela primeira vez, mais de 2.200 empresas parceiras, incluindo bancos, operadoras de telefonia, varejo, universidades e concessionárias de água, luz e gás.

As condições típicas de um feirão:

  • Descontos de até 99% — o percentual é definido pela empresa credora, não pela Serasa;
  • Parcelas a partir de R$ 9,90, em até 72 vezes;
  • Pagamento por Pix ou boleto;
  • Baixa da negativação após o pagamento da dívida quitada ou da primeira parcela do acordo — pelo Pix, a retirada pode ser imediata.

A negociação é gratuita nos canais oficiais, que são: o site serasa.com.br, o aplicativo Serasa (Android e iOS), o WhatsApp oficial, o telefone 3003-6300 e mais de 7.000 agências dos Correios.

O Passo a Passo para Negociar

  1. Consulte sua situação completa antes de negociar. Acesse o app ou o site com CPF e senha e veja todas as dívidas registradas, não só a que você lembra. Negociar sem o quadro completo é o erro mais comum;
  2. Liste as dívidas por prioridade, não por valor. Dívidas com garantia (financiamento de carro ou imóvel) e dívidas essenciais (água, luz, gás) vêm primeiro, porque o prejuízo de não pagar é maior. Cartão e crédito pessoal vêm depois;
  3. Verifique se a dívida já prescreveu. Depois de cinco anos, a dívida sai dos cadastros de negativados e não pode mais ser cobrada judicialmente — embora continue existindo. Entenda o funcionamento no nosso artigo sobre dívida prescrita e quanto tempo o nome fica sujo antes de pagar algo que talvez já não trave mais o seu CPF;
  4. Calcule quanto cabe no orçamento antes de abrir as ofertas. Defina o valor máximo de parcela que você consegue pagar todo mês sem atrasar as contas do mês corrente. Esse número é o seu limite — e ele não muda porque a oferta tem prazo;
  5. Compare à vista e parcelado. O desconto máximo quase sempre está na quitação à vista. Se der para juntar o valor esperando uma edição do feirão, a economia costuma ser muito maior do que parcelar em 72 vezes;
  6. Revise as condições antes de confirmar: valor total, desconto aplicado, número e valor das parcelas, data de vencimento e se há juros no parcelamento;
  7. Guarde o comprovante e o acordo. Baixe o documento do acordo e o comprovante de pagamento. É o que você vai usar caso a baixa da negativação não aconteça no prazo;
  8. Confirme a baixa em até 5 dias úteis. Consulte o CPF novamente. Se o nome não saiu, acione o credor com o comprovante em mãos.

O Erro que Anula Todo o Esforço

Em agosto de 2026, o valor médio de cada acordo fechado na plataforma foi de R$ 741, e os descontos concedidos no mês somaram mais de R$ 11,8 bilhões. Mas uma parte desses acordos é descumprida na segunda ou terceira parcela — e um acordo quebrado costuma reativar a dívida original, com juros, e devolver a negativação.

Por isso a regra é simples: é melhor fechar um acordo menor que você vai cumprir do que o maior desconto que vai furar em três meses. Se hoje você não tem folga para nenhuma parcela, o caminho é primeiro reorganizar as despesas com um orçamento de sobrevivência e só depois negociar. Nosso guia sobre como avaliar se um acordo de dívida vale a pena traz os critérios objetivos para essa decisão.

Cuidado com golpes: a Serasa nunca cobra taxa, adiantamento ou depósito para liberar descontos. Qualquer pessoa pedindo pagamento antecipado em troca de desconto está aplicando um golpe. Negocie apenas pelos canais oficiais e confira o boleto ou o QR Code do Pix antes de pagar. Veja também como funciona o golpe que usa o nome de programas de renegociação.

Depois de Limpar o Nome: Reconstruir o Score

Tirar o nome da lista de negativados não devolve o score automaticamente ao nível anterior. O score reage ao histórico de pagamentos ao longo do tempo, então a recuperação é gradual. Os passos que funcionam: manter as contas básicas em dia e no nome do CPF, cadastrar-se no Cadastro Positivo e usar pouco crédito de forma constante e pontual. O caminho completo está no nosso guia de como recuperar o score de crédito.

E se a sua dívida é com um banco e você quer negociar diretamente, em vez de pela plataforma, veja antes as táticas reunidas em como negociar dívidas com bancos — muitas vezes o banco iguala ou supera a oferta do feirão quando o cliente chega preparado.

Fontes

Antes de aceitar qualquer proposta, descubra quanto realmente cabe no seu orçamento. Use nossos simuladores financeiros gratuitos e monte seu plano de pagamento com números reais.

Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.