A busca por crédito no Brasil cresceu 16,5% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, segundo o Indicador de Demanda por Crédito da Serasa Experian. Mas o dado mais revelador está no recorte por faixa de renda: entre consumidores que ganham de 1 a 2 salários mínimos, a busca por crédito avançou 35,2% no mesmo período — o maior crescimento entre todas as faixas analisadas.

O Crescimento Por Faixa de Renda

Segundo a Serasa Experian, o aumento na procura por crédito foi maior justamente entre quem ganha menos:

  • De 1 a 2 salários mínimos: +35,2% (maior crescimento);
  • Até 1 salário mínimo: +18,1%;
  • De 5 a 10 salários mínimos: +16,1%;
  • Acima de 10 salários mínimos: +12,9% (menor crescimento);
  • De 2 a 5 salários mínimos: única faixa em contração, com queda de 1,5%.

O padrão nas pontas é claro: entre quem ganha até 2 salários mínimos, o crescimento na busca por crédito passa de 30%, bem acima da média geral de 16,5% — um sinal de que famílias de baixa renda estão recorrendo cada vez mais ao crédito para lidar com o dia a dia.

Chama atenção também o comportamento oposto da faixa intermediária, de 2 a 5 salários mínimos, a única a registrar contração na busca por crédito. Uma leitura possível é que essa faixa de renda, nem tão vulnerável quanto quem ganha até 2 salários mínimos, nem tão estável quanto as faixas mais altas, esteja reagindo ao cenário de juros altos evitando novas dívidas — enquanto quem ganha menos muitas vezes não tem essa opção, já que o crédito supre necessidades básicas que não podem simplesmente ser adiadas, como alimentação, contas de energia ou aluguel em atraso — despesas que não esperam o próximo salário chegar.

Onde a Demanda Mais Cresceu

O levantamento também mostrou grandes variações regionais, com destaque para estados fora do eixo Sul-Sudeste:

  • Mato Grosso lidera o ranking, com crescimento de 29,9%;
  • Acre aparece em seguida, com 24,8%;
  • Roraima registrou alta de 24,4%;
  • Amapá teve crescimento de 22,6%;
  • Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul empataram, com 22,1% cada.

Por Que Isso Está Acontecendo

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo entre famílias de menor renda — mas com uma diferença importante em relação a outras faixas: para esse grupo, o crédito serve menos à administração do orçamento doméstico e mais à cobertura de despesas essenciais, refletindo a pressão do custo de vida sobre o bolso de quem ganha menos.

Em outras palavras, o crédito está sendo usado, cada vez mais, não como ferramenta de planejamento, mas como forma de tapar buracos no orçamento básico — um padrão que costuma preceder o endividamento excessivo se não for acompanhado de perto.

Como Sair Desse Ciclo Antes que Ele se Agrave

  1. Mapeie exatamente para onde está indo o crédito contratado — se é para despesas essenciais recorrentes, é sinal de que o orçamento está estruturalmente no vermelho, não apenas passando por um mês ruim;
  2. Priorize linhas de crédito mais baratas, como o consignado, em vez do cartão ou do crédito pessoal sem garantia, sempre que precisar recorrer a alguma forma de crédito;
  3. Busque programas de complementação de renda ou benefícios sociais aos quais você tenha direito antes de recorrer a crédito para cobrir despesas básicas;
  4. Monte um orçamento simples, mesmo que apertado, para identificar exatamente onde cortar antes que o crédito vire hábito.

Quem está usando crédito para cobrir o básico do mês pode se beneficiar de reorganizar as prioridades com o método 50-30-20, ou, em situações mais graves, seguir o passo a passo do nosso guia de orçamento de sobrevivência. Quem já está com dívidas acumuladas por causa desse ciclo também pode conferir como negociar dívidas com bancos sem aceitar a primeira proposta.

O Que Fazer Antes de Contratar Mais uma Linha de Crédito

Antes de contratar qualquer novo crédito para cobrir despesas do mês, vale fazer uma pergunta simples: essa despesa é pontual ou vai se repetir todo mês? Se for recorrente, o crédito só adia o problema e ainda soma juros a ele — o caminho mais sustentável é ajustar o orçamento de forma estrutural, mesmo que isso signifique cortes difíceis no curto prazo. Recorrer ao crédito repetidamente para cobrir o mesmo tipo de despesa é justamente o padrão que a Serasa identificou crescendo entre as famílias de menor renda, e reconhecer esse padrão na própria rotina é o primeiro passo para interrompê-lo antes que ele se torne um ciclo difícil de quebrar.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Dados de demanda por crédito são indicadores agregados e podem não refletir a situação individual de cada consumidor.

Fontes

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Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.