O mercado de carros usados começou o segundo semestre de 2026 desacelerando visivelmente: o índice IBV Auto, que acompanha os preços de veículos usados, subiu apenas 0,01% em agosto — a menor variação mensal desde abril de 2024. Para quem está pensando em comprar ou vender um carro usado, entender esse movimento ajuda a negociar com mais informação.

O Que Mostra o Índice

No acumulado dos primeiros oito meses de 2026, os preços de carros usados subiram 3,55% — abaixo dos 3,74% registrados no mesmo período de 2025. Na comparação de 12 meses, a valorização também perdeu força, passando de 6,10% para 5,12%. São números que confirmam uma tendência de desaceleração consistente, não apenas um resultado isolado de um único mês.

Esse tipo de índice funciona de forma parecida com o IPCA, só que aplicado especificamente ao mercado de veículos usados: ele acompanha a variação média de preços praticados nas negociações reais, servindo como termômetro para quem quer entender se é um bom momento para comprar, vender ou trocar de carro. Uma variação mensal de apenas 0,01%, como a de agosto, é praticamente estabilidade de preços — algo raro nesse mercado nos últimos anos, historicamente marcado por altas consistentes puxadas pela escassez de peças e componentes em determinados períodos, além da própria demanda represada por veículos mais acessíveis do que os modelos novos.

Por Que os Preços Estão Desacelerando

Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do BV, "a desaceleração da atividade, a Selic em nível restritivo e a forte concorrência no mercado de carros novos explicam esse movimento". Ou seja: a economia mais fraca reduz a disposição de compra, os juros altos encarecem o financiamento tanto de carros novos quanto usados, e as montadoras de veículos novos — pressionadas a vender — acabam competindo diretamente com o mercado de usados por meio de descontos e condições agressivas de financiamento.

O Alerta dos Carros Elétricos

Um dado chama atenção especial dentro do levantamento: carros elétricos de modelos 2023 perderam, em média, 46,15% do valor em três anos — mais do que o dobro da perda de 21,72% registrada por carros a combustão no mesmo período. Isso acontece mesmo com as vendas de elétricos crescendo 195% na comparação anual, com 56.074 unidades vendidas somente em julho de 2026. A rápida evolução da tecnologia de baterias e a chegada constante de modelos novos e mais baratos tendem a acelerar a desvalorização dos elétricos já em circulação — um ponto importante para quem pensa em comprar um usado desse tipo esperando reter valor.

Diferença Entre Regiões

A desaceleração também varia bastante pelo país: São Paulo registrou alta de apenas 3,33% em 12 meses, ajudando a puxar a média nacional para baixo, enquanto o Rio de Janeiro teve valorização bem mais forte, de 6,28% no mesmo período — um lembrete de que o "mercado nacional" de carros usados, na prática, se comporta de forma bem diferente dependendo da região.

Essa diferença regional costuma refletir fatores locais como oferta e demanda de modelos específicos, renda média da população e até a intensidade da concorrência entre revendedores e plataformas de venda direta em cada praça. Por isso, antes de decidir comprar ou vender, vale pesquisar o comportamento de preços especificamente na sua região, e não apenas confiar na média nacional divulgada pelos índices.

Vale a Pena Comprar Agora?

Uma desaceleração nos preços tende a favorecer quem está comprando — menos pressão de alta significa mais espaço para negociar o valor final, especialmente em regiões onde o índice está mais fraco, como São Paulo. Para quem está decidindo entre financiar um carro novo ou comprar um usado, vale comparar as condições disponíveis, incluindo programas específicos como o Move Brasil para quem trabalha dirigindo, ou avaliar se um consórcio sai mais barato no seu caso. Já para quem está pensando especificamente em um carro elétrico usado, o dado de desvalorização acelerada merece entrar na conta antes de decidir — o preço de entrada mais baixo pode não compensar a perda de valor mais rápida na hora de revender.

Para quem está vendendo, o cenário pede um ajuste de expectativa: com a valorização mais fraca, o carro pode não ter subido tanto de preço quanto em anos anteriores, o que torna importante pesquisar o valor real de mercado antes de anunciar, em vez de basear o preço apenas na memória de quanto carros parecidos custavam há um ou dois anos. Anunciar um valor desatualizado, seja para cima ou para baixo, tende a alongar o tempo até a venda ou a resultar em uma negociação menos favorável.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo, e não constitui recomendação de investimento, crédito ou qualquer produto financeiro. Antes de tomar uma decisão, avalie sua situação e, se necessário, procure orientação profissional habilitada.

Fontes

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Escrito por Equipe Ponte Financeira

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