O teto de financiamento do programa Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativo subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil, segundo autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com o Ministério da Fazenda. A mudança amplia o alcance de um programa que já vinha oferecendo crédito mais barato para quem trabalha dirigindo.

Para quem depende do carro como principal ferramenta de trabalho, o acesso a crédito com juros mais baixos do que os praticados no mercado tradicional pode representar uma diferença significativa no orçamento mensal — tanto na hora de trocar de veículo quanto na sustentabilidade financeira da própria atividade ao longo dos anos de financiamento.

O Que É o Move Brasil

Lançado em maio de 2026, o Move Brasil é um programa do governo federal que disponibiliza R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros novos com juros menores do que os praticados no financiamento tradicional, voltado especificamente para taxistas e motoristas de aplicativo.

O programa faz parte de um conjunto de iniciativas do governo para estimular a indústria automotiva nacional, oferecendo condições de financiamento mais acessíveis em troca de exigências como a compra de veículos novos fabricados no país — o que também ajuda a explicar por que o programa é operado em parceria entre o MDIC (responsável pela política industrial) e o Ministério da Fazenda (responsável pelas condições de crédito).

O Que Mudou

Com a atualização, o valor máximo financiável passa de R$ 150 mil para R$ 200 mil, tanto para taxistas quanto para motoristas de aplicativo — um ajuste que acompanha a alta no preço médio dos veículos e amplia as opções de modelos elegíveis dentro do programa.

Quais São as Taxas de Juros

O programa mantém taxas diferenciadas por perfil: até 11,5% ao ano para mulheres, e até 12,6% ao ano para os demais motoristas e cooperativas. São taxas bem mais competitivas do que a média do financiamento de veículos fora de programas oficiais, especialmente em um cenário de Selic ainda em nível elevado.

Para ter uma referência de comparação, financiamentos de veículos fora de programas oficiais costumam operar bem acima desse patamar, dependendo do perfil de crédito do comprador e da instituição financeira escolhida. É justamente essa diferença de taxa, mantida estável mesmo com o teto de financiamento subindo, que torna o programa atrativo para quem depende do carro como ferramenta de trabalho e não teria acesso a condições parecidas no mercado tradicional.

Por Que Essa Diferenciação Por Gênero

Taxas menores para mulheres motoristas seguem uma lógica já usada em outras políticas públicas de crédito no Brasil: buscar reduzir barreiras específicas enfrentadas por esse grupo no mercado de trabalho de transporte, historicamente dominado por homens, e incentivar a entrada e permanência de mulheres nessa atividade.

Esse tipo de diferenciação também aparece em outras frentes de crédito no país, como linhas específicas para mulheres empreendedoras ou taxas reduzidas em determinados programas de crédito produtivo. A lógica por trás é sempre parecida: setores historicamente mais difíceis de acessar para um determinado grupo recebem condições de crédito mais favoráveis como forma de nivelar a entrada, sem depender apenas da força de mercado para corrigir essa desigualdade ao longo do tempo.

Vale a Pena Para Quem Depende do Carro Para Trabalhar

Para quem já trabalha ou pretende trabalhar como motorista de aplicativo ou taxista, comparar as condições do Move Brasil com outras formas de financiamento — ou mesmo com um consórcio de veículo — é um passo importante antes de decidir. Como em qualquer financiamento, vale calcular o Custo Efetivo Total da proposta antes de assinar, considerando não apenas a taxa de juros anunciada, mas seguros e tarifas embutidas — detalhamos esse cálculo no guia sobre o Custo Efetivo Total. Também vale lembrar que um carro financiado é, ao mesmo tempo, ferramenta de trabalho e fonte de despesa fixa mensal — por isso, simular a capacidade real de pagamento considerando os custos variáveis da atividade (combustível, manutenção, seguro) é essencial antes de assumir o compromisso. O novo teto de R$ 200 mil também não significa que financiar o valor máximo seja sempre a melhor escolha — a parcela deve caber no orçamento mesmo em meses de faturamento mais baixo, algo comum na rotina de quem trabalha por aplicativo ou como taxista, sujeito a sazonalidade de demanda ao longo do ano. Reservar uma margem de segurança no orçamento mensal para os meses de faturamento mais fraco evita que o financiamento do próprio carro de trabalho se transforme, ironicamente, na maior fonte de aperto financeiro de quem depende dele para gerar renda.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo, e não constitui recomendação de investimento, crédito ou qualquer produto financeiro. Antes de tomar uma decisão, avalie sua situação e, se necessário, procure orientação profissional habilitada.

Fontes

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Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.