CET (Custo Efetivo Total) é a informação mais importante — e mais ignorada — na hora de comparar propostas de empréstimo ou financiamento. Diferente da taxa de juros anunciada, que costuma aparecer em destaque nas propagandas, o CET reúne todos os custos reais de uma operação de crédito num único percentual anual, tornando possível comparar propostas de forma justa.
O Que é o CET
Segundo o Banco Central, o CET é a taxa percentual anual que representa o custo total de uma operação de crédito ou arrendamento mercantil, incluindo juros, tarifas, tributos, seguros e quaisquer outros encargos cobrados do cliente, calculada em regime de juros compostos. A obrigatoriedade de informar o CET antes da contratação está prevista na Resolução CMN nº 4.881/2020, que substituiu a antiga Resolução 3.517/2007 sobre o mesmo tema.
Por Que Só a Taxa de Juros Não é Suficiente
Duas propostas de empréstimo com a mesma taxa de juros nominal podem ter custos finais bem diferentes, dependendo de:
- Tarifas de abertura de crédito ou de cadastro cobradas separadamente;
- Seguros vinculados à operação, muitas vezes oferecidos como "opcionais" mas embutidos no cálculo padrão;
- IOF, que varia conforme o prazo e o tipo de operação — veja nosso guia sobre como o IOF afeta empréstimos e compras no cartão;
- Outras tarifas administrativas específicas de cada instituição.
É exatamente por isso que instituições financeiras são obrigadas a informar o CET antes da contratação — ele elimina a possibilidade de comparar "taxa de juros contra taxa de juros" enquanto uma das propostas esconde custos adicionais que só aparecem depois de assinado o contrato.
Como Usar o CET na Prática
- Ao receber qualquer proposta de crédito, peça explicitamente o CET antes de decidir — é direito do consumidor, garantido por resolução do Banco Central;
- Compare o CET, não a taxa de juros, entre diferentes instituições para o mesmo valor e prazo;
- Desconfie de propostas que demoram a informar o CET ou que só o mencionam depois de pressionadas — é um sinal de que os custos adicionais podem ser altos;
- Lembre-se que o CET já é anualizado — para comparar com uma proposta informada em taxa mensal, converta ambas para a mesma base de tempo antes de decidir.
CET Não é a Mesma Coisa que Taxa de Juros
Um erro comum é achar que o CET é apenas "a taxa de juros com um nome mais formal". Na prática, o CET é sempre igual ou maior que a taxa de juros nominal, porque soma todos os outros custos a ela. Uma diferença pequena entre CET e taxa de juros indica uma operação com poucos custos adicionais; uma diferença grande é sinal de que vale a pena negociar a remoção de tarifas ou seguros embutidos antes de fechar o contrato.
Onde Encontrar o CET
Bancos e financeiras são obrigados a exibir o CET de forma clara no contrato e, geralmente, também em simulações feitas pelo aplicativo ou site antes da contratação. Se a informação não aparecer automaticamente, o consumidor pode — e deve — solicitá-la diretamente, por escrito, antes de assinar qualquer proposta de crédito pessoal, financiamento de veículo ou imóvel, ou consignado.
Exemplo Prático: Duas Propostas, Mesma Taxa de Juros
Imagine duas propostas de empréstimo de R$ 10.000 em 12 parcelas, ambas anunciadas com a mesma taxa de juros de 2% ao mês. A Proposta A não cobra nenhuma tarifa adicional, resultando num CET próximo de 26,8% ao ano — praticamente equivalente aos juros compostos anualizados. Já a Proposta B cobra uma tarifa de cadastro de R$ 300 e um seguro prestamista obrigatório de R$ 50 por mês, elevando o CET para algo em torno de 34% ao ano, mesmo com a taxa de juros anunciada sendo idêntica. Sem comparar o CET, essa diferença de quase 8 pontos percentuais ao ano passaria despercebida até o consumidor já estar com o contrato assinado — e é justamente esse tipo de custo escondido que a exigência legal de divulgação do CET busca evitar.
CET e o Empréstimo Pessoal com Juros Abusivos
O CET é especialmente útil para identificar propostas de crédito pessoal com juros abusivos, tema que tem ganhado atenção da Senacon. Quando o CET informado passa de um patamar muito acima da média do mercado — como os casos de crédito pessoal não consignado com taxas acima de 800% ao ano identificados em investigações recentes — é um sinal claro de que vale buscar outras opções antes de assinar. Veja mais sobre esse tema em nosso artigo sobre empréstimos pessoais com juros abusivos investigados pela Senacon.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Regras sobre divulgação de CET podem ser atualizadas por novas resoluções do CMN — consulte sempre a normativa vigente.
Fontes
- Banco Central do Brasil — Resolução CMN nº 4.881/2020 — Custo Efetivo Total
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