A inadimplência das dívidas renegociadas pelo Desenrola 2.0 chegou a 10% em agosto de 2026, segundo análise do UBS BB — um índice considerado elevado pelos analistas, ainda que bem abaixo do limite de 50% de cobertura oferecido pelo Fundo Garantidor de Operações do programa. Os números mostram que renegociar uma dívida não garante, sozinho, que ela seja paga até o fim.
Os Números do Desenrola 2.0
O programa já renegociou R$ 3,5 bilhões em empréstimos garantidos — equivalente a cerca de R$ 23 bilhões em dívidas originais antes dos descontos, considerando uma redução média de 85% sobre o valor devido. Apesar do desconto generoso, a inadimplência sobre esse valor renegociado varia bastante conforme a instituição financeira:
- Banco do Brasil: 18,4% (maior taxa entre as instituições analisadas);
- Santander Brasil: 14,1%;
- Nu: 13,8%;
- Itaú: 11,5%;
- Bradesco: 0,4%;
- PicPay: 0,2% (menor taxa).
A diferença enorme entre as instituições sugere que o perfil de cliente atendido e os critérios de elegibilidade para a renegociação variam bastante de banco para banco — o que também explica por que a média geral do programa, de 10%, esconde realidades bem diferentes.
Como Funciona o Fundo Garantidor de Operações
O Fundo Garantidor de Operações (FGO) é a peça central que permite ao Desenrola 2.0 oferecer descontos tão altos aos consumidores: ele cobre parte do risco de calote assumido pelos bancos participantes, funcionando como um colchão de segurança para as instituições financeiras. É por isso que o limite de cobertura de 50% funciona como referência de alerta — enquanto a inadimplência ficar abaixo desse teto, o programa continua sustentável financeiramente para os bancos, mesmo com uma parcela relevante de consumidores não pagando o combinado.
Por Que Gente Que Renegocia Volta a Ficar Inadimplente
Segundo os analistas do UBS BB, a carteira do Desenrola 2.0 "ainda está em fase de maturação" — ou seja, os números atuais podem não refletir o comportamento definitivo de longo prazo do programa. Mas a experiência de programas de renegociação em massa, no Brasil e em outros países, mostra um padrão recorrente: renegociar uma dívida resolve o passado, mas não muda automaticamente os hábitos financeiros que levaram ao endividamento em primeiro lugar. Sem ajustar o orçamento depois do acordo, é comum que a pessoa volte a atrasar outras contas — ou a mesma dívida renegociada — em poucos meses.
Como Não Fazer Parte Dessa Estatística
- Antes de aceitar a renegociação, calcule se a nova parcela realmente cabe no orçamento mensal considerando a renda atual, não uma expectativa de renda futura;
- Monte um orçamento estruturado logo após fechar o acordo — não espere o primeiro atraso para reagir;
- Evite contrair novo crédito enquanto a dívida renegociada ainda estiver em andamento, mesmo que o limite pareça disponível;
- Se perceber que a parcela renegociada vai atrasar, entre em contato com o credor antes do vencimento — muitas instituições têm mais flexibilidade para ajustar o acordo do que para uma dívida em atraso do zero.
Para quem está avaliando participar do programa ou já renegociou e quer entender melhor como funciona, veja nosso guia sobre como funciona o Desenrola Adimplentes e sobre o que foi o Desenrola Brasil na primeira edição do programa.
O Que Fazer se Você Já Está Inadimplente na Dívida Renegociada
Quem já renegociou pelo Desenrola e está atrasando a parcela não deve simplesmente deixar a situação se acumular. O primeiro passo é procurar o próprio banco para entender se é possível um novo ajuste — muitas instituições preferem renegociar de novo a perder o valor já descontado. Se essa via não funcionar, vale buscar apoio especializado, como o Núcleo de Atendimento ao Superendividado (NAS) do Procon, que ajuda a reorganizar todas as dívidas de uma família de forma conjunta, e não apenas uma renegociação isolada.
O Que Diferencia Quem Consegue Pagar de Quem Reincide
Comparando os dois grupos — quem mantém a dívida renegociada em dia e quem volta a atrasar — a diferença raramente está no valor do desconto obtido na negociação, e sim no que acontece depois dela. Quem consegue honrar o acordo costuma ter feito um ajuste real no orçamento antes de assinar, cortando gastos que não cabiam mais na nova realidade financeira. Já quem reincide, na maioria dos casos, aceitou a renegociação como um alívio imediato sem mudar o comportamento que gerou a dívida original — o que torna praticamente inevitável repetir o mesmo ciclo assim que a pressão do primeiro atraso passa.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Números do Desenrola 2.0 podem ser atualizados nos próximos meses, à medida que a carteira amadurece — consulte sempre os canais oficiais do programa para a situação mais atual.
Fontes
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