Saber o que acontece com os direitos trabalhistas quando a empresa entra em recuperação judicial é essencial para qualquer trabalhador — não só para quem está diretamente envolvido em um caso como o das Casas Bahia, que voltou ao noticiário em agosto de 2026. Diferente de uma demissão comum, receber tudo o que é devido pode não acontecer de forma integral nem imediata.
Por Que os Demitidos Podem Receber Menos
Quando uma empresa entra com pedido de recuperação judicial, boa parte das verbas rescisórias deixa de ser paga integralmente e à vista. Segundo o InfoMoney, valores como férias vencidas com terço constitucional, 13º salário proporcional, multa de 40% do FGTS e aviso prévio indenizado passam a integrar o plano de recuperação judicial da empresa — sujeitos a deságio (desconto) e parcelamento de até três anos.
Como explica o advogado trabalhista Jamil Rangel: "O trabalhador não vai poder executar o seu crédito. Ele vai habilitar esse crédito para receber, posteriormente, numa fila."
Quais Verbas Ficam Protegidas
Nem tudo entra nessa fila de credores. Alguns créditos recebem proteção especial e prioridade de pagamento:
- Créditos de natureza estritamente salarial: salários já vencidos e não pagos têm prioridade sobre outros credores;
- FGTS até cinco salários mínimos: essa parcela específica do FGTS também recebe proteção especial dentro do processo.
Já férias vencidas, 13º proporcional, multa de 40% do FGTS e aviso prévio indenizado não têm essa mesma prioridade — entram no plano de recuperação judicial como qualquer outro credor.
Se Você For Demitido Depois do Pedido de Recuperação
Há uma diferença importante de timing: trabalhadores demitidos depois do pedido de recuperação judicial ter sido protocolado têm direito ao pagamento integral das verbas rescisórias em até dez dias — sem entrar na fila de credores da recuperação. A regra mais restritiva vale principalmente para quem já tinha valores em aberto no momento do pedido.
O Que Fazer Se Você Foi Demitido Nessa Situação
- Solicite o seguro-desemprego: esse benefício é pago diretamente pelo governo, não pela empresa em recuperação, e não é afetado pelo processo;
- Acompanhe a atuação do sindicato: em processos de recuperação judicial, o sindicato da categoria costuma negociar coletivamente em nome dos trabalhadores, o que pode melhorar as condições de pagamento;
- Fique atento ao prazo de parcelamento: se o pagamento for negociado para um prazo superior a um ano, a lei não permite desconto (deságio) sobre o valor devido;
- Habilite seu crédito no processo: é necessário formalizar a habilitação do crédito trabalhista dentro da recuperação judicial para entrar na fila de recebimento — geralmente com apoio do sindicato ou de um advogado.
Como se Planejar Financeiramente Nesse Cenário
Como parte do dinheiro pode demorar a cair — ou vir parcelado e com desconto —, vale montar um planejamento financeiro mais conservador enquanto o processo não se resolve. Nosso guia de orçamento de sobrevivência ajuda a organizar as contas essenciais nesse período de transição, e se você tem outras dívidas em aberto, o conteúdo sobre como negociar dívidas com bancos traz um caminho para não deixar essas pendências crescerem enquanto a recuperação da empresa não é concluída.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Cada processo de recuperação judicial tem particularidades próprias — procure orientação de um advogado trabalhista ou do sindicato da sua categoria para avaliar o seu caso específico.
Fontes
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