Desde 1º de setembro de 2026, o Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), o canal oficial para tentar recuperar dinheiro perdido em golpes envolvendo Pix. A mudança dá bem mais tempo para quem só percebe o golpe depois que o prazo antigo já teria se esgotado.

O Que É o MED

O MED é o mecanismo criado pelo Banco Central para tentar bloquear e devolver valores transferidos por Pix em casos de fraude comprovada. Ele funciona através do próprio banco ou instituição de pagamento da vítima — não é preciso acionar diretamente o Banco Central nem abrir um processo judicial para dar entrada no pedido.

Vale entender que o MED não é um seguro nem uma garantia automática de devolução: ele depende de a instituição de destino conseguir efetivamente bloquear o valor antes que o golpista o retire ou transfira para outra conta. Por isso, quanto mais rápido a vítima reportar o golpe ao próprio banco, maiores as chances de recuperar o dinheiro — mesmo com o prazo agora estendido para 80 dias, agir assim que a fraude é percebida continua sendo a atitude mais eficaz.

O Que Mudou

Até agosto, a vítima tinha até 30 dias após a transação fraudulenta para formalizar a reclamação junto ao seu banco e ativar o MED. A partir de setembro, esse prazo passa para 80 dias — uma mudança relevante para golpes mais elaborados, em que a vítima demora mais tempo para perceber que caiu em uma fraude, diferente de um golpe óbvio identificado no mesmo dia.

Essa diferença de prazo importa especialmente em golpes que só se revelam depois de um tempo — por exemplo, quando a vítima percebe a fraude apenas ao notar uma cobrança recorrente inesperada, ou quando o golpe envolve várias etapas até o valor final ser desviado. Com 30 dias, muita gente simplesmente perdia o direito de acionar o mecanismo antes mesmo de entender completamente o que havia acontecido.

Como Funciona o Processo Passo a Passo

  1. Reporte o golpe ao seu banco assim que perceber a fraude, dentro do novo prazo de 80 dias;
  2. O banco da vítima aciona o banco de destino, que bloqueia preventivamente os valores disponíveis na conta de quem recebeu o Pix;
  3. A instituição financeira do lado do recebedor tem até 7 dias para analisar e responder ao pedido de devolução;
  4. Se a fraude for confirmada, a devolução — total ou parcial — acontece em até 96 horas depois da confirmação;
  5. Se o valor já tiver sido usado ou transferido para outro lugar, o mecanismo pode bloquear outros pagamentos da conta do golpista até recuperar o valor total ou até 90 dias se passarem, o que ocorrer primeiro.

Vale notar que o resultado do MED depende diretamente de haver saldo disponível na conta de destino no momento do bloqueio. Se o golpista já tiver sacado ou transferido o dinheiro para fora do sistema bancário antes do acionamento, a devolução pode ser parcial ou, em alguns casos, não acontecer — daí a importância de agir o mais rápido possível, mesmo com o prazo agora mais generoso.

Por Que a Ampliação do Prazo Importa

Um dos esquemas mais elaborados que motivou a mudança envolve fraudadores se passando por vítimas de uma transferência "por engano": o golpista pede a devolução de um Pix para um lojista ou pessoa física alegando erro, recebe o dinheiro de volta e, depois, aciona o próprio MED contra a vítima original, tentando reaver o valor uma segunda vez de forma fraudulenta. Esse tipo de golpe é mais difícil de perceber rapidamente, o que reforça por que um prazo maior para contestação faz diferença real na prática.

O Que Fazer Se Você Caiu em um Golpe do Pix

Além de acionar o MED dentro do novo prazo, é importante reunir o máximo de evidências possível — prints da conversa, comprovante da transferência, qualquer contato do golpista — antes de formalizar a reclamação com o banco. Já detalhamos o processo completo, incluindo o que fazer se o banco negar o primeiro pedido, no nosso guia sobre como recuperar dinheiro de um golpe no Pix.

Também vale registrar um boletim de ocorrência, mesmo que a devolução pelo MED já esteja em andamento. O registro formal ajuda em eventuais desdobramentos, como uma ação judicial contra o golpista caso o valor não seja recuperado pela via administrativa, e serve como comprovação adicional caso o banco solicite mais documentação durante a análise do pedido de devolução.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo, e não constitui recomendação de investimento, crédito ou qualquer produto financeiro. Antes de tomar uma decisão, avalie sua situação e, se necessário, procure orientação profissional habilitada.

Fontes

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Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.