Mulheres na previdência privada ainda são minoria em participação e aportam significativamente menos que os homens, segundo a 1ª Pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) em agosto de 2026. O levantamento expõe uma lacuna que vai muito além da conhecida diferença salarial entre os gêneros — e que pode custar caro lá na frente, na hora da aposentadoria.

Os Números da Desigualdade

Segundo a pesquisa, a previdência privada aberta é justamente onde as mulheres têm maior participação relativa entre os produtos analisados: 44,9% dos participantes são mulheres. Ainda assim, o valor médio de aporte é bem menor:

  • Homens: R$ 17.218 em média;
  • Mulheres: R$ 13.187 em média — cerca de 30% a menos.

Em seguros climáticos e rurais, a participação feminina cai para apenas 13,4%, a menor entre todas as categorias analisadas pela pesquisa.

Por Que Isso Acontece

O levantamento da Susep aponta cinco fatores principais por trás dessa diferença:

  • Desigualdade salarial: a renda média das mulheres segue inferior à dos homens no mercado de trabalho brasileiro, reduzindo a capacidade de poupança;
  • Carga de cuidado familiar: mulheres ainda assumem, em média, mais responsabilidades domésticas e de cuidado, o que pressiona o orçamento e reduz o espaço para investir a longo prazo;
  • Comunicação inadequada do setor: historicamente, seguradoras e gestoras de previdência não desenvolveram comunicação voltada para as necessidades específicas do público feminino;
  • Produtos genéricos: faltam soluções pensadas para momentos específicos da vida das mulheres, como maternidade e maior expectativa de longevidade;
  • Falta de dados desagregados por gênero: sem esses dados, fica mais difícil para o setor desenhar produtos e preços mais adequados a cada perfil.

Por Que a Longevidade Torna Isso Ainda Mais Relevante

Mulheres vivem em média mais que homens no Brasil — o que significa que precisam de mais anos de renda garantida na aposentadoria, exatamente o público que hoje acumula menos patrimônio previdenciário. Essa combinação (mais tempo de vida, menos dinheiro guardado) é o principal motivo pelo qual especialistas recomendam que mulheres comecem a poupar para a aposentadoria o quanto antes, mesmo com valores pequenos.

Como Começar a Investir na Previdência (Mesmo com Pouco)

A boa notícia é que não é preciso esperar ganhar mais para começar. Alguns passos práticos ajudam a reduzir essa distância ao longo do tempo:

  • Comece com aportes pequenos e regulares: a consistência importa mais do que o valor inicial — aportar pouco todo mês tende a render mais, no longo prazo, do que esperar ter uma quantia maior para começar;
  • Compare PGBL e VGBL: a escolha entre os dois planos de previdência privada depende do seu modelo de declaração de Imposto de Renda — vale simular qual se encaixa melhor no seu caso antes de contratar;
  • Negocie o salário e busque equiparação: reduzir a raiz do problema (a diferença de renda) também é parte da solução de longo prazo;
  • Considere outras formas de investir para a aposentadoria: Tesouro Direto e fundos de investimento também são caminhos possíveis para quem quer construir uma reserva de longo prazo fora da previdência privada tradicional.

Se você ainda não começou a investir de forma alguma, nosso guia sobre como começar a investir do zero traz o passo a passo — desde organizar as finanças até entender os primeiros tipos de investimento disponíveis.

O Papel do Setor Financeiro Daqui Para Frente

A própria pesquisa recomenda que seguradoras e gestoras de previdência ajustem produtos considerando riscos específicos das mulheres, melhorem a comunicação direcionada a esse público e aumentem a participação feminina na criação e distribuição desses produtos. Enquanto essas mudanças estruturais não avançam, a saída individual segue sendo começar a investir o quanto antes, mesmo que aos poucos.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Antes de contratar qualquer plano de previdência privada, avalie taxas, prazos e seu perfil de investidor, e se necessário busque orientação profissional habilitada.

Fontes

Quer simular quanto seus aportes mensais podem render até a aposentadoria? Use nosso simulador de juros compostos gratuito.

Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.