O que é CDI é uma das primeiras perguntas de quem começa a investir em renda fixa, já que a sigla aparece em quase todo produto bancário — CDB, LCI, LCA, fundos DI. Entender essa taxa é essencial para comparar investimentos e saber se um rendimento de "100% do CDI" é bom ou não para o seu bolso.
O Que é o CDI na Prática
CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário, um título emitido diariamente por bancos para emprestar dinheiro entre si, por prazos curtíssimos — geralmente de um dia. Bancos precisam fechar o dia com o caixa equilibrado dentro das regras do Banco Central, e usam esses certificados para cobrir sobras ou faltas de recursos entre eles. A taxa DI, divulgada pela B3, é a média dos juros praticados nessas operações, e é ela que o mercado chama popularmente de "CDI".
CDI x Selic: Qual a Diferença
É comum confundir CDI com taxa Selic, já que as duas andam praticamente juntas. Mas são coisas diferentes: a Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) a cada 45 dias, e serve de referência para toda a economia. Já o CDI é uma taxa de mercado, resultado das negociações reais entre bancos — mas como essas negociações são fortemente influenciadas pela Selic, o CDI costuma ficar bem próximo dela, geralmente um pouco abaixo.
Na prática, quando o noticiário fala que a Selic está em 14% ao ano, o CDI tende a girar perto de 13,65% ao ano — a diferença é pequena, mas existe.
Por Que os Investimentos Usam "% do CDI"
Bancos e corretoras costumam anunciar a rentabilidade de CDBs e fundos como um percentual do CDI, porque essa taxa funciona como referência de mercado para renda fixa. Alguns exemplos práticos:
- CDB a 90% do CDI: rende 90% do que rende o CDI no período — abaixo da média, geralmente oferecido por bancos maiores com liquidez diária;
- CDB a 100% do CDI: acompanha exatamente a taxa DI, um patamar considerado justo para CDBs com boa liquidez;
- CDB a 120% do CDI: rende acima da média, normalmente em bancos menores ou com prazos de resgate mais longos, como forma de compensar o investidor pelo risco e pela menor liquidez.
Quanto maior o percentual do CDI oferecido, maior tende a ser o risco do banco emissor ou o prazo de carência — vale sempre checar se o produto tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) antes de investir.
Exemplo Prático de Cálculo
Com o CDI em torno de 13,65% ao ano, um CDB de R$ 5.000 a 100% do CDI renderia aproximadamente R$ 682 em 12 meses, antes do desconto do Imposto de Renda sobre o rendimento. O mesmo valor num CDB a 90% do CDI renderia cerca de R$ 614 no período, enquanto um CDB mais arrojado a 120% do CDI chegaria perto de R$ 819. A diferença de poucos pontos percentuais parece pequena mês a mês, mas se acumula de forma relevante ao longo de vários anos — por isso vale sempre comparar o percentual do CDI antes de escolher onde deixar o dinheiro.
Onde o CDI Aparece
Além dos CDBs, o CDI serve de referência para:
- LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio) — veja como ficou a tributação desses produtos após o fim da isenção de LCI e LCA;
- Fundos DI e fundos de renda fixa referenciados;
- Fundos multimercado, que costumam usar o CDI como meta mínima de rentabilidade (benchmark);
- Operações de crédito entre instituições financeiras, o que indiretamente influencia o custo do crédito para o consumidor final.
CDI Alto é Bom ou Ruim?
Depende do lado em que você está. Para quem investe, um CDI alto é uma boa notícia: a renda fixa rende mais, com baixo risco. Mas o mesmo CDI alto significa juros mais caros para quem toma crédito — financiamentos, cartão de crédito e empréstimos ficam mais pesados. É por isso que, em períodos de Selic e CDI elevados, negociar dívidas ganha ainda mais importância: veja como negociar dívidas com bancos sem aceitar a primeira proposta.
Vale a Pena Buscar Rentabilidade Acima do CDI?
Bater o CDI de forma consistente não é trivial, principalmente com juros altos como os atuais — quanto maior a taxa livre de risco, mais difícil fica para outros investimentos, como ações ou fundos imobiliários, compensarem o risco extra que carregam. Por isso, especialistas costumam recomendar usar o CDI como referência mínima: antes de aceitar qualquer investimento com mais risco, vale perguntar se o retorno esperado realmente compensa ficar exposto a oscilações que a renda fixa simplesmente não tem. Para quem já domina o básico da renda fixa, o próximo passo natural costuma ser entender opções indexadas à inflação, como o Tesouro IPCA+.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros — avalie sempre o seu perfil de risco antes de investir.
Fontes
- B3 — Taxa DI
- Banco Central do Brasil — Taxa Selic
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