A busca das empresas brasileiras por crédito cresceu 9,2% no acumulado de 12 meses até junho de 2026, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. O dado chama atenção porque quem mais impulsiona esse crescimento não são as grandes companhias, mas as micro e pequenas empresas (MPEs) — exatamente o perfil de negócio mais comum entre quem lê este conteúdo.
O Crescimento Por Porte de Empresa
- Micro e pequenas empresas (MPEs): +9,2% em 12 meses (maior crescimento);
- Grandes empresas: +7,8%;
- Médias empresas: +7,4%.
Na comparação direta entre junho de 2026 e junho de 2025, a demanda geral por crédito das empresas cresceu 6,6% — um ritmo mais moderado, mas que confirma a tendência de alta ao longo do ano.
Quais Setores Mais Buscaram Crédito
- Agropecuária: +14,8% (maior crescimento interanual);
- Serviços: +12,0%;
- Indústria: +4,1%;
- Comércio: +2,1% (menor crescimento).
O Retrato das PMEs Brasileiras
O levantamento também traça um perfil detalhado de quem são essas empresas:
- 95,7% das PMEs têm limite de crédito estimado de até R$ 570 mil;
- 41% apresentam perfil de demanda associado a capital de giro — ou seja, buscam crédito para manter a operação do dia a dia, não para investir em expansão;
- 81,5% operam com até nove funcionários;
- 79% têm mais de cinco anos de existência;
- 72% têm faturamento estimado de até R$ 1,35 milhão.
Esse retrato mostra um universo de negócios pequenos, mais antigos do que se costuma imaginar (a maioria já passou dos cinco anos de existência) e com equipes enxutas — características que também explicam por que o acesso a crédito costuma ser mais limitado e mais caro para esse grupo do que para empresas maiores, com mais garantias e histórico bancário robusto para oferecer. É justamente por isso que comparar propostas com calma, sem pressa de fechar a primeira oferta recebida, faz tanta diferença para esse perfil de negócio, mesmo quando o caixa já está apertado e a tentação de aceitar logo é grande.
O Que Esse Crescimento Sinaliza
Quando a busca por crédito cresce mais entre pequenos negócios do que entre grandes empresas, e quando boa parte dessa demanda é voltada para capital de giro, o sinal costuma ser de aperto no caixa — não necessariamente de expansão. Pequenos negócios têm menos colchão financeiro para absorver meses mais fracos, e recorrem ao crédito para cobrir o intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes.
Como Usar Crédito de Capital de Giro com Segurança
- Antes de contratar, calcule exatamente o Custo Efetivo Total da operação — veja nosso guia sobre o que é CET e como usá-lo para comparar propostas;
- Use capital de giro para cobrir sazonalidade real do negócio, não para tapar prejuízo estrutural — se o problema se repete todo mês, o ajuste precisa ser no preço ou nos custos, não no crédito, por mais tentador que seja adiar essa decisão mais difícil;
- Mantenha uma reserva de caixa mínima para o negócio, separada da reserva pessoal, para reduzir a dependência de crédito emergencial;
- Compare propostas de mais de uma instituição — a diferença de CET entre bancos para capital de giro costuma ser maior do que parece à primeira vista.
Vale lembrar também que cooperativas de crédito e fintechs voltadas especificamente para pequenos negócios costumam oferecer condições mais competitivas do que os grandes bancos tradicionais para capital de giro — vale incluir essas opções na comparação antes de fechar qualquer contrato, mesmo que exijam um pouco mais de pesquisa do que simplesmente aceitar a proposta do banco onde a empresa já tem conta corrente.
Para quem já está sentindo o aperto do crédito mais caro no negócio, vale entender também o outro lado dessa moeda: veja nosso artigo sobre como o crédito caro empurra PMEs para dívidas maiores, e o que fazer para não fazer parte dessa estatística.
Diferença Entre Crédito de Investimento e Capital de Giro
Vale distinguir os dois tipos de crédito antes de contratar: crédito de investimento é voltado para expandir o negócio — comprar equipamento, abrir uma nova unidade, ampliar estoque para crescer — e costuma ter prazos mais longos e taxas melhores, já que o banco enxerga um retorno futuro mais claro. Já o capital de giro serve para cobrir o funcionamento do dia a dia, e usá-lo repetidamente mês após mês, sem nunca quitar o saldo anterior, é um sinal de que o problema não é de caixa temporário, mas de estrutura de custos do negócio.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Números do indicador podem ser atualizados em levantamentos futuros — consulte sempre os canais oficiais da Serasa Experian para dados mais recentes.
Fontes
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