O crédito ao consumidor piora no Brasil segundo o balanço do segundo trimestre de 2026 divulgado pelos maiores bancos do país: a taxa de inadimplência bateu recorde de 5,6% em maio e se manteve nesse patamar em junho, segundo dados do Banco Central — um nível mais alto até do que o registrado durante a recessão de 2015-2016 e durante a pandemia.
O Que os Bancos Estão Dizendo
Executivos dos maiores bancos brasileiros deram o tom nos resultados do trimestre. Carlos Muñiz, do Santander, afirmou que "pessoalmente, não está otimista" quanto à recuperação das margens, projetando melhora apenas "no início de 2027, e não no final deste ano". Milton Maluhy, do Itaú, chamou atenção para o excesso de crédito disponível ao consumidor, destacando que "os brasileiros agora têm cerca de seis cartões de crédito por pessoa" em média. Já Marcelo Noronha, do Bradesco, confirmou que o banco está desacelerando produtos de maior risco, operando "com uma tolerância ao risco muito moderada".
Por Que a Inadimplência Está Tão Alta
Segundo o levantamento, o endividamento já consome cerca de um terço da renda mensal do brasileiro médio. Entre os fatores apontados estão:
- Juros historicamente altos há mais de quatro anos seguidos, encarecendo qualquer tipo de crédito;
- Excesso de liquidez no sistema financeiro, que facilitou a oferta de crédito além da capacidade real de pagamento de muitos consumidores;
- Alavancagem excessiva, principalmente entre a população de baixa renda, mais exposta a produtos de crédito caros como cartão e crédito pessoal;
- Baixa efetividade dos programas de renegociação — no caso do Itaú, o programa de renegociação de dívidas reduziu a inadimplência em apenas 2 pontos-base, um efeito considerado pequeno diante do tamanho do problema.
Um Recorde Que Preocupa o Mercado
O que chama atenção dos próprios bancos não é só o número absoluto de 5,6%, mas o contexto em que ele aparece: diferente de 2015-2016 ou da pandemia, quando a inadimplência disparou junto com uma crise econômica clara e um choque abrupto de renda, o patamar atual foi atingido em um cenário de atividade econômica relativamente estável. Isso sugere que o problema é mais estrutural do que conjuntural — está mais ligado ao volume de crédito disponível e ao comportamento de consumo do que a um evento externo pontual, o que torna a reversão mais lenta e incerta, como reconheceram os próprios executivos.
Sinais de Que Você Pode Estar no Grupo de Risco
Alguns sinais ajudam a identificar se o seu perfil de endividamento está próximo do que os bancos consideram preocupante:
- As parcelas de dívidas (cartão, empréstimos, financiamentos) somam mais de um terço da sua renda líquida mensal;
- Você usa o limite do cartão de crédito com frequência para cobrir despesas do dia a dia, não só emergências;
- Você tem mais de três cartões de crédito ativos e não sabe de cabeça o limite total somado entre eles;
- Você já pagou apenas o valor mínimo da fatura em mais de um mês nos últimos seis meses.
Se dois ou mais desses sinais fazem parte da sua rotina, vale reorganizar o orçamento antes que a situação se aproxime da média nacional que tanto preocupa o mercado. Quanto mais cedo o ajuste começa, menor a chance de a dívida virar uma bola de neve difícil de controlar.
O Que Isso Significa Para Quem Já Está Endividado
Com os bancos operando com "tolerância ao risco mais moderada", como descreveu o Bradesco, a tendência é que o crédito fique mais seletivo e mais caro para quem já tem histórico de atraso — tornando ainda mais importante agir antes que a dívida cresça. Alguns passos práticos:
- Revise quantos cartões de crédito você mantém ativos — a média de seis cartões por pessoa citada pelo Itaú é um convite ao endividamento silencioso, já que cada limite disponível é uma tentação a mais;
- Priorize quitar dívidas com juros mais altos primeiro, como o rotativo do cartão — veja como funciona o teto de 100% do rotativo do cartão;
- Negocie antes de atrasar, não depois — bancos com apetite de risco mais baixo tendem a oferecer condições piores para quem já está em atraso;
- Monte um orçamento realista considerando que renda comprometida acima de um terço com dívidas já está no patamar de risco identificado pelos próprios bancos.
Quem já está nessa situação pode começar pelo nosso guia de orçamento de sobrevivência, com passos práticos para reorganizar as contas sob pressão, e entender como negociar dívidas com bancos sem aceitar a primeira proposta.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e reflete dados divulgados publicamente pelos bancos e pelo Banco Central até a data de publicação. Números de inadimplência podem mudar nos próximos balanços trimestrais.
Fontes
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