A inadimplência das empresas no Brasil bateu recorde em junho de 2026: pela primeira vez na série histórica, mais de 9,1 milhões de CNPJs estavam negativados, segundo levantamento da Serasa Experian. Para quem tem um MEI (Microempreendedor Individual) e está sentindo o aperto no caixa, entender o cenário — e principalmente os próximos passos práticos — é o primeiro passo para não deixar a situação piorar.

O Tamanho do Recorde de Inadimplência

De acordo com a Serasa Experian, o volume de dívidas em atraso entre empresas chegou a R$ 232,9 bilhões em junho, um crescimento de 16,67% em relação ao mesmo mês de 2025 — o maior patamar desde o início da série histórica, em 2016. Em apenas um mês, o número de CNPJs negativados cresceu 1,1%, e o volume de dívidas avançou 1,3%.

Cada empresa inadimplente acumula, em média, 7,3 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ. E o dado mais importante para quem tem um pequeno negócio: 8,7 milhões dos CNPJs negativados — cerca de 95% do total — são micro e pequenas empresas, exatamente o grupo onde se encaixa a maioria dos MEIs. O setor de Serviços concentra 55,7% das empresas negativadas, seguido por Comércio (32,2%) e Indústria (8%).

Por Que o MEI é o Mais Vulnerável Nesse Cenário

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a alta taxa de juros — atualmente em 14% ao ano — está entre os principais fatores por trás do avanço da inadimplência empresarial, ao encarecer o crédito e pressionar o caixa das empresas menores. No caso do MEI, esse aperto costuma vir acompanhado de outros fatores específicos:

  • Mistura entre finanças pessoais e do negócio, dificultando enxergar de onde vem o problema;
  • Dependência de uma única fonte de receita, sem colchão para meses mais fracos;
  • Crédito para capital de giro mais caro, já que pequenos negócios costumam pagar juros mais altos que grandes empresas;
  • Menor margem de negociação com fornecedores em comparação com empresas maiores.

O Que Fazer se Seu CNPJ Está Negativado

  1. Confirme a negativação: consulte o CNPJ diretamente nos canais da Serasa ou do SPC Brasil para saber exatamente quais dívidas estão registradas e os valores atualizados;
  2. Separe as dívidas por credor e urgência: liste cada pendência com valor, juros e prazo, priorizando as que têm maior risco de gerar protesto ou ação judicial;
  3. Negocie diretamente e cedo: quanto antes a negociação começa, menor tende a ser o desconto necessário para o credor aceitar — dívidas muito antigas costumam ter condições piores;
  4. Busque plataformas de renegociação: Serasa Limpa Nome e SPC Brasil também atendem CNPJ, com descontos que podem ser negociados diretamente pelo site ou aplicativo;
  5. Fique em dia com o DAS: atrasos recorrentes no DAS podem levar à exclusão do Simples Nacional, o que encarece ainda mais a tributação do negócio.

Se a dívida envolve um banco específico, vale entender como funciona a negociação — nosso guia sobre como negociar dívidas com bancos sem aceitar a primeira proposta vale tanto para pessoa física quanto para CNPJ. E quem já negociou e quer entender o próximo passo pode ler sobre como recuperar o score de crédito depois de quitar as pendências.

MEI Pode Usar Programas Tipo Desenrola?

Programas de renegociação em massa, como o Desenrola Brasil, historicamente focaram em dívidas de pessoa física, mas isso não significa que o MEI fique sem alternativas: como o CNPJ do MEI está atrelado ao CPF do titular, muitas dívidas contraídas em nome da pessoa física — como um empréstimo pessoal usado para capital de giro — podem entrar nesse tipo de programa. Já dívidas registradas diretamente no CNPJ, como financiamentos de equipamentos ou linhas de crédito empresarial, seguem as regras específicas de negociação de cada banco ou fornecedor, geralmente fora dos programas voltados à pessoa física. Antes de negociar, vale checar em nome de quem cada dívida foi efetivamente contraída — a resposta muda totalmente a estratégia de negociação.

Como Evitar a Reincidência

Sair do vermelho uma vez não garante que o problema não volte. Manter uma conta separada para o negócio, guardar uma reserva mínima para cobrir dois ou três meses de despesas fixas e acompanhar de perto o fluxo de caixa — mesmo que de forma simples, numa planilha — são hábitos que fazem diferença real para quem depende do MEI como fonte de renda. Quem está pensando em ajustar o enquadramento tributário do negócio também pode conferir as mudanças recentes no limite de faturamento do MEI.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional. Números e regras podem mudar — consulte sempre um contador ou os canais oficiais da Receita Federal, Serasa e SPC Brasil antes de tomar decisões sobre o seu negócio.

Fontes

Precisa organizar as contas do seu negócio ou da sua casa? Use nossas calculadoras financeiras gratuitas para planejar os próximos passos.

Escrito por Equipe Ponte Financeira

Conteúdo revisado com base em fontes oficiais (BCB, CVM, B3, Serasa) — ver seção "Fontes" de cada artigo.